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Ranking dos Clássicos de Final Fantasy

A saga Final Fantasy tem levado a imaginação dos jogadores a viajar há quase quarenta anos.

Ao longo das décadas, diversos capítulos marcaram gerações e conquistaram os corações dos fãs. As discussões sobre quais são os melhores jogos da série sempre rendem debates acalorados, afinal, cada jogador tem sua própria resposta. 

A proposta de hoje é apresentar um ranking dos melhores títulos da série, focando exclusivamente no primeiro ciclo de aventuras, ou seja, os capítulos de I a VI.

Apesar das diferenças entre eles, esses jogos compartilham alguns elementos essenciais: foram lançados originalmente para NES e SNES, possuem um visual em 2D, adotam o sistema de combate por turnos (que permaneceria na série por muitos anos) e contaram com a participação de membros fundamentais da equipe de desenvolvimento.

Por isso, escolhemos compará-los entre si, deixando de fora os capítulos que fizeram a transição para o 3D e foram lançados no PlayStation.

 

Final Fantasy II (NES, 1988)

Screenshot de Final Fantasy 2

Screenshot de Final Fantasy II

Comecemos com uma verdade inegável: mesmo o jogo menos brilhante desta lista ainda é um bom JRPG. Apesar de suas falhas, Final Fantasy II merece ser redescoberto por aqueles que nunca lhe deram uma chance.

Ainda assim, há razões concretas para ele ser frequentemente visto como uma das "ovelhas negras" da franquia e raramente figurar entre os melhores Final Fantasy de todos os tempos.

Mas seria injusto ignorar suas qualidades. Antes mesmo do lançamento de Final Fantasy IV — amplamente considerado o primeiro título da série a dar um foco real na narrativa —, Final Fantasy II já tentava trilhar esse caminho.

Diferente do primeiro jogo, no qual a história era um pano de fundo simples para a aventura, os desenvolvedores decidiram, desta vez, criar primeiro o mundo do jogo, com seus personagens e eventos, para depois adaptar a jogabilidade. Embora sua trama possa parecer modesta para os padrões atuais, na época, trouxe inovações marcantes, como a introdução de Cid e dos Chocobos, além da morte de personagens ao longo da jornada, algo incomum no gênero naquele período.

O que realmente comprometeu sua reputação, no entanto, foi seu sistema de grinding — um dos mais controversos da série. 

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Em vez de seguir o tradicional sistema de níveis, Final Fantasy II introduziu um modelo de progressão baseado no uso das habilidades. Quanto mais um personagem empunha uma arma ou conjura uma magia, mais proficiente ele se torna nessas áreas. Da mesma forma, sofrer dano repetidamente pode aumentar sua barra de HP.

Embora inovador, esse sistema rapidamente se revelou tedioso, exigindo uma quantidade excessiva de grinding. Além disso, ele permitia abusos que comprometiam a experiência, como atacar os próprios companheiros de equipe para acelerar o fortalecimento dos atributos.

Outro ponto fraco do jogo são seus dungeons, muitas vezes repetitivos e recheados de salas vazias, o que contribuiu para que Final Fantasy II se tornasse um dos capítulos menos memoráveis da série.

Ainda assim, seria injusto ignorar seus méritos. O jogo foi pioneiro em aspectos narrativos e de construção de mundo, antecipando elementos que se tornariam marcas registradas dos JRPGs nos anos seguintes. Para quem deseja explorar a evolução do gênero, Final Fantasy II continua sendo uma joia bruta que merece ser conhecida

 

Final Fantasy I (NES, 1987)

Screenshot de Final Fantasy 1

Screenshot de Final Fantasy I

Poucas séries de videogame resistem à máxima de que "o original é insuperável" — e, infelizmente, Final Fantasy não é uma delas

O primeiro capítulo da icônica franquia, embora revolucionário em seu tempo, não envelheceu tão bem. Sua narrativa é mínima, o mundo do jogo carece de profundidade, e suas mecânicas, que um dia foram inovadoras, hoje parecem rudimentares diante das evoluções que a série traria nos anos seguintes.

Ainda assim, há elementos que continuam surpreendentemente sólidos, o que é impressionante para um jogo que se aproxima dos quarenta anos. A trilha sonora, composta por um jovem Nobuo Uematsu, continua marcante, assim como a liberdade concedida ao jogador — uma característica que era inovadora na época e ainda se destaca mesmo em comparação a muitos títulos modernos. Sem falar na icônica introdução do tema principal, que se tornaria um símbolo da franquia.

No fim das contas, Final Fantasy é mais lembrado por seu impacto pioneiro do que por suas qualidades como jogo isolado. No entanto, ele ainda tem muito a oferecer aos fãs de JRPGs, que encontrarão aqui uma experiência simples e rústica, mas repleta de nostalgia.

  

Final Fantasy III (NES, 1990)

Screenshot de Final Fantasy 3

Screenshot de Final Fantasy III

Como o capítulo final da trilogia do NES, Final Fantasy III representou um grande salto para a série, estabelecendo bases que influenciariam fortemente seu futuro. Foi aqui que surgiu o icônico sistema de jobs, uma mecânica de classes que retornaria em diversas formas ao longo da franquia, cada uma com suas próprias variações e refinamentos.

Por isso, não é exagero dizer que, sem Final Fantasy III, a série não seria como a conhecemos hoje. Seu impacto na evolução da franquia pode ser comparado ao do primeiro jogo, tamanha sua importância. No entanto, é essencial diferenciar o legado que deixou da qualidade do jogo em si — e é nesse ponto que ele perde alguns pontos.

Mais uma vez, a narrativa carece de profundidade e não se destaca entre os demais capítulos (embora o remake para Nintendo DS tenha aprimorado esse aspecto e tornado a história mais envolvente). Além disso, o sistema de jobs, apesar de inovador, ainda estava em sua fase inicial, com diversas classes pouco úteis ou mal balanceadas.

Felizmente, alguns anos depois, a série encontrou um título que levaria esse conceito a um novo patamar, refinando e aperfeiçoando a ideia de forma brilhante.

 

Final Fantasy V (SNES, 1992)

Screenshot de Final Fantasy 5

Screenshot de Final Fantasy V

A posição de Final Fantasy V nesta lista é altamente debatível e pode facilmente ser trocada com a do próximo colocado. Quem valoriza a narrativa como elemento essencial nos JRPGs tende a preferir Final Fantasy IV, enquanto aqueles que priorizam a jogabilidade provavelmente enxergarão Final Fantasy V como superior.

A razão é simples: em termos de mundo e enredo, Final Fantasy V oferece pouco que seja verdadeiramente memorável. Seus personagens, história, direção artística e até mesmo a trilha sonora são competentes, mas faltam a intensidade emocional e o impacto que marcam os grandes momentos da série.

Por outro lado, no aspecto da jogabilidade, Final Fantasy V brilha ao retomar e aprimorar o sistema de jobs, corrigindo todas as falhas de seus antecessores. Com 22 classes disponíveis (26 nas reedições), cada uma tem um propósito bem definido e pode ser combinada com habilidades de outras classes, criando uma profundidade estratégica impressionante nas fases mais avançadas do jogo.

Esse sistema de progressão é tão envolvente e bem-executado que faz de Final Fantasy V um título indispensável mesmo após tantos anos. Durante muito tempo, o jogo foi subestimado, ofuscado tanto pelo impacto de seu antecessor imediato quanto pela grandiosidade de seu sucessor.

No entanto, olhando em retrospecto, Final Fantasy V é um dos capítulos que melhor resistiram ao tempo, sendo uma verdadeira aula de design e inovação dentro do gênero.

 

Final Fantasy IV (SNES, 1991)

Screenshot de Final Fantasy 4

Screenshot de Final Fantasy IV

Final Fantasy IV é amplamente considerado um ponto de virada na série, e com razão.

O jogo marcou a introdução do sistema Active Time Battle (ATB), uma mecânica inovadora que definiria os próximos capítulos e ajudaria a diferenciar Final Fantasy de outros JRPGs em termos de jogabilidade. No entanto, seu maior legado está, sem dúvida, na narrativa.

Pela primeira vez, a série apresentou um elenco de personagens memoráveis, cada um com profundidade e desenvolvimento significativo ao longo da história. Além disso, o mundo do jogo foi criado com um nível de detalhe e imersão até então inédito, não apenas para a saga, mas para todo o gênero.

Em resumo, se hoje Final Fantasy é sinônimo de histórias épicas e protagonistas carismáticos, devemos grande parte disso a este capítulo revolucionário.

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Claro, nem tudo que reluz é ouro. Mais de três décadas após seu lançamento, as limitações narrativas de Final Fantasy IV se tornaram mais evidentes: a história se leva a sério demais, e a quantidade absurda de "mortes aparentes" ao longo da trama acaba gerando momentos involuntariamente cômicos.

Ainda assim, por trás dessa camada um tanto melodramática, há um jogo que continua a surpreender e emocionar. Seja na versão original ou no remake em 3D, que adiciona mais profundidade à trama, Final Fantasy IV mantém seu impacto e relevância, provando por que é um dos capítulos mais icônicos da franquia.

 

Final Fantasy VI (SNES, 1994)

Screenshot de Final Fantasy 6

Screenshot de Final Fantasy VI

Precisa mesmo de apresentações para Final Fantasy VI? Provavelmente não.

Este capítulo representa o auge da era clássica da série e, por boas razões, ainda é amplamente considerado não apenas um dos melhores Final Fantasy, mas também um dos maiores JRPGs de todos os tempos.

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Em essência, Final Fantasy VI aperfeiçoa tudo o que seus antecessores construíram. A jogabilidade foi refinada com a introdução da magicita e dos Espers, permitindo um nível de personalização mais profundo para as habilidades de cada personagem.

Mas é principalmente no quesito narrativo que o jogo nos presenteia com uma das histórias mais belas da saga, com um elenco de protagonistas realmente incrível e icônico (sem falar do antagonista principal, o excêntrico Kefka), inseridos em um mundo de jogo simplesmente memorável.

A cereja do bolo fica por conta da direção artística e da trilha sonora magistral de Nobuo Uematsu, que elevaram Final Fantasy VI a um patamar lendário, consolidando-o como uma verdadeira pedra fundamental na história dos videogames.

 

Conclusão

Independentemente de sua posição no ranking, o que mais impressiona ao revisitar a era clássica de Final Fantasy é como cada episódio ainda tem algo a dizer, alguns mais, outros menos.

Apesar dos anos que se passaram, cada capítulo continua sendo um exemplo magistral do que um JRPG de qualidade deve ser. Não é por acaso que, até hoje, os fãs continuam jogando esses títulos, em busca de segredos ainda não descobertos ou simplesmente para viver emoções inesquecíveis pela primeira vez.

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